Foto: Vinicius Becker
Expectativa é de que a revitalização seja entregue apenas em 2027
Nesta quinta-feira (30), o Dia do Ferroviário reacende a memória de uma das profissões mais importantes para a formação de Santa Maria. Muito além do trabalho nos trilhos e locomotivas, os ferroviários ajudaram a moldar o crescimento econômico, urbano e social da cidade, especialmente entre o fim do século 19 e boa parte do século 20, quando a atividade ferroviária viveu seu período de ouro no município.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Nesse cenário, o Clube dos Ferroviários, oficialmente Associação dos Empregados da Viação Férrea, tornou-se um dos principais espaços de convivência e integração entre os trabalhadores do setor. Localizado no coração da Vila Belga, o prédio reunia eventos sociais, atividades culturais e encontros que ajudaram a consolidar a identidade ferroviária santa-mariense. Agora, o espaço ainda aguarda o início das obras de revitalização.
Revitalização
Anunciada como uma das principais intervenções de preservação do patrimônio histórico de Santa Maria, a revitalização do Clube dos Ferroviários ainda não saiu do papel, mesmo após a definição do projeto arquitetônico, premiações nacionais e a garantia de cerca de R$ 13,6 milhões em recursos.
Escolhido ainda em 2022, por meio do concurso estadual "Iconicidades", o projeto prevê a transformação da antiga Associação dos Empregados da Viação Férrea em um espaço voltado à economia criativa, cultura e convivência comunitária. No entanto, passados quase quatro anos, a obra segue sem início.
Segundo a prefeitura, o município está em fase de tratativas para assinatura do contrato com a empresa que ficará responsável pela execução da revitalização.
"A partir dessa formalização, será dado início a levantamentos técnicos de restauro. A previsão é de que o começo das obras ocorra até o final deste primeiro semestre, com duração de um ano", informou o Executivo.
Contratação
A empresa escolhida para executar a revitalização é a Arquium Construções e Restauro Ltda., de Porto Alegre, mesma responsável pela reforma da Casa de Cultura, na Praça Saldanha Marinho, obra que já acumula atrasos e teve a conclusão adiada para o início do segundo semestre de 2026.
Inicialmente, a expectativa era licitar a obra em até 60 dias. A contratação, entretanto, não será feita por licitação, mas sim a partir de mecanismo previsto no artigo 74 da Lei 14.133/2021. Neste caso, a justificativa principal está no caráter técnico e especializado do serviço, já que a legislação permite a contratação de empresas de notória especialização, sem necessidade de licitação.
O inciso III, alínea “g”, da lei prevê a inexigibilidade para a “restauração de obras de arte e de bens de valor histórico”, justamente o caso do Clube dos Ferroviários, prédio tombado e inserido no conjunto histórico da Vila Belga.
A possibilidade já havia sido antecipada pela prefeitura em janeiro, após a assinatura do convênio com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que garantiu R$ 10 milhões por meio do Fundo de Reconstituição de Bens Lesados.
Além disso, o projeto conta com mais R$ 3,6 milhões do programa Pró-Cidades, do Ministério das Cidades, totalizando cerca de R$ 13,6 milhões em investimentos.

Expectativa
Em janeiro deste ano, ao anunciar o convênio com o MPRS, o prefeito Rodrigo Decimo (PSD) afirmou que a expectativa era concluir a contratação em até 60 dias e iniciar a obra do Clube dos Ferroviários ainda no primeiro semestre.
Na ocasião, a previsão era de entrega no segundo semestre de 2026.
— Conseguimos assinar esse convênio que prevê o repasse de um valor importante, R$ 10 milhões. É um projeto belíssimo, que vai trazer a reconstituição do patrimônio histórico e também oportunidades ligadas à economia criativa — disse o prefeito à época.
Com a contratação ainda pendente e diante do histórico recente de atrasos em outras obras de restauro conduzidas pela mesma empresa, o cronograma segue sob análise e a projeção de entrega passa para o ano que vem.
O que será feito
O Clube dos Ferroviários passará por restauração da parte tombada, demolição de estruturas mais recentes sem valor histórico e ampliação do complexo, respeitando a aprovação de órgãos como Iphan, Iphae e demais conselhos de patrimônio.
O espaço deverá abrigar a nova sede da Escola Municipal de Artes Eduardo Trevisan, com áreas para música, dança, pintura, escultura e teatro.
Um dos principais destaques será a chamada “caixa cênica”, estrutura pensada para ensaios e pequenas apresentações culturais, integrada ao pátio externo e a uma praça de convivência aberta ao público. O projeto também prevê café e áreas destinadas à economia criativa e empreendedorismo.
A proposta faz parte do Distrito Criativo Centro-Gare, lançado em 2022, que busca requalificar o entorno ferroviário e impulsionar novos usos para a região histórica.
Projeto premiado
O projeto vencedor foi desenvolvido inicialmente pelo arquiteto Augusto Longarine, de São Paulo, no concurso "Iconicidades", promovido pelo governo do Estado.
Posteriormente, a proposta evoluiu para o projeto “Túnel do Tempo”, assinado pelo escritório Tempo Arquitetos, que recebeu destaque nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e também foi premiado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS).
A proposta prevê a criação de um Centro de Inovação e Economia Criativa integrado ao prédio histórico, com uma passarela metálica conectando estruturas e simbolizando a ligação entre passado e futuro ferroviário da cidade.
Confira abaixo o projeto: